Breves considerações sobre minha jornada, meus erros, ganhos, perdas, conselhos para amigos e conhecidos
Como cantava a grande cantora americana de jazz, Rosemary Clooney: “Time flies!”
É incrível pensar em como 10 anos passaram tão rapidamente. Lembro-me até hoje dos, muito bem recebidos por mim, R$ 2,05 que caíram em minha então recente conta-corrente, advindos dos meus investimentos feitos em Fundos de Investimento Imobiliário. De lá para cá, muita coisa aconteceu. Lições valiosas e importantes, decorrentes da minha experiência nesse mundo, foram por mim aprendidas, resultando neste, poderíamos dizer, “compilado dos 20 maiores erros de novos e velhos investidores”.
Sinceramente, embora invista há uma década, tenha me formado em Economia nesse meio tempo e sempre tenha estudado sobre o tema, este artigo não tem a pretensão de ser um guia. Até porque cada pessoa acumula experiências individuais nesse universo. Ainda assim, é impressionante como os mesmos erros continuam se repetindo — até mesmo entre investidores de longa data.
Sendo assim, aqui vão, espero que de forma curta e didática, os 20 maiores erros observados:
1 – Esperar muito ou usar expectativas de terceiros
Quando comecei a investir, lá atrás, minha cabeça era igual à de muita gente:
queria retorno rápido, dividendos altos e, se possível, tudo ao mesmo tempo.
A expectativa, sem perceber, vira o centro de tudo nos investimentos.
Ela é o que define se você vai se sentir satisfeito… ou frustrado.
Se fosse colocar em uma conta simples, seria algo assim:
Satisfação = Expectativa – Realidade
O problema é que, no mercado, a expectativa costuma crescer rápido demais.
Você entra em um ativo que começa a performar bem.
Ele sobe, continua subindo… e, junto com ele, sobe também a sua confiança.
De repente, você já não está mais analisando fundamentos —
está apenas acreditando que “vai continuar dando certo”.
E é aí que mora o perigo.
Você cria um apego ao ativo, ignora sinais importantes e, quando a realidade não acompanha a expectativa, a frustração vem forte.
Outro ponto ainda mais comum é viver com base na expectativa dos outros:
- um amigo que “descobriu uma oportunidade”
- um conhecido que “ganhou muito dinheiro”
- ou o clássico influenciador que parece sempre acertar
A verdade é simples: ninguém sabe para onde o mercado vai.
Por isso, se você não construir suas próprias convicções, vai acabar vivendo de decisões que não são suas — e arcando com consequências que também não são dos outros.
2 – Não ter um objetivo de investimento claro
Existe uma frase clássica que resume bem isso:
“Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve.”
Nos investimentos, isso aparece de uma forma muito sutil.
Você começa animado, estuda, monta uma estratégia, escolhe alguns bons ativos…
Mas, com o tempo, começam a surgir distrações.
Uma ação que disparou.
Um fundo que “todo mundo está falando”.
Uma oportunidade que parece imperdível.
E, sem perceber, você começa a sair do plano.
A ansiedade entra em cena — o famoso FOMO, o medo de ficar de fora.
E aí acontece o que é mais comum do que deveria:
você abandona uma estratégia que fazia sentido no longo prazo para correr atrás de ganhos rápidos no curto prazo.
O problema é que essas “oportunidades” geralmente vêm sem base sólida.
No fim, você troca consistência por impulso.
Ter um objetivo claro não é só sobre saber onde quer chegar —
é sobre ter um filtro para dizer não para aquilo que não faz sentido.
3 – Diversificar de forma errada
Diversificação é um dos conceitos mais repetidos no mundo dos investimentos.
E, justamente por isso, muita gente aplica… da forma errada.
Existe uma ideia de que “quanto mais diversificado, melhor”.
Mas não é bem assim.
Quando você diversifica demais, pode cair em problemas que passam despercebidos:
- custos acumulados
- dificuldade de acompanhar tudo
- e até concentração disfarçada
Um exemplo clássico são os ETFs internacionais.
Muita gente acha que está super diversificada, mas, na prática, está investindo nas mesmas empresas repetidas vezes, sem perceber.
Por outro lado, o extremo oposto também é perigoso.
Colocar muito dinheiro em poucos ativos pode até parecer mais simples, mas aumenta muito o risco. Basta um erro — ou um evento inesperado — para comprometer boa parte do patrimônio.
Diversificar bem não é sair comprando de tudo.
É entender o que você tem, por que tem… e como aquilo se complementa dentro da sua carteira.
4 – Focar na performance errada
Existe uma frase muito conhecida no mercado:
“No curto prazo, o mercado é uma máquina de votação. No longo prazo, é uma balança.”
Na prática, isso significa que, no curto prazo, os preços são muito influenciados por opinião, emoção e narrativa.
Já no longo prazo, o que realmente pesa são os fundamentos.
O erro acontece quando o investidor começa a olhar demais para o curto prazo.
Fica acompanhando preço todos os dias, comparando rentabilidade, querendo sempre estar no ativo que mais subiu recentemente.
E, sem perceber, começa a tomar decisões baseadas em movimento — e não em valor.
O problema é que o curto prazo é barulhento.
E quem toma decisão no meio do barulho tende a errar mais.
Se você percebe que está muito focado nisso, talvez seja um sinal de que precisa parar, revisar sua estratégia e voltar ao que realmente importa.
5 – Comprar na alta e vender na baixa
Esse é clássico — e, sendo bem sincero, quase todo mundo já passou por isso.
Na teoria, parece simples: comprar barato e vender caro.
Na prática… é outra história.
O que acontece geralmente é o seguinte:
Você vê um ativo subindo.
Alguém comenta sobre ele.
Você começa a acompanhar.
Ele continua subindo.
Aí vem o pensamento:
“Se está subindo assim, deve ser bom.”
Você entra.
Logo depois, o mercado vira.
No começo, você acha que é só uma correção.
Depois, começa a se preocupar.
Depois, entra o medo.
E, quando a queda pesa de verdade, você vende — justamente no pior momento.
Pouco tempo depois, o ativo se recupera.
Esse ciclo não é sobre falta de conhecimento.
É sobre comportamento.
Ganância na alta.
Medo na baixa.
E, enquanto isso não for controlado, o resultado tende a se repetir.
6 – Negociar com muita frequência
Existe uma sensação estranha — quase viciante — de estar sempre fazendo algo no mercado.
Comprar, vender, ajustar, mexer na carteira… parece produtivo.
Mas, na maioria das vezes, não é.
Negociar com muita frequência costuma gerar dois problemas silenciosos:
- custos acumulados (mesmo quando parecem pequenos)
- decisões impulsivas
Cada clique no home broker pode parecer irrelevante no momento.
Mas, ao longo do tempo, essas pequenas decisões vão se somando — e pesando na rentabilidade.
Além disso, quanto mais você mexe, maior a chance de errar.
Nem sempre fazer mais significa fazer melhor.
Muitas vezes, o melhor movimento é justamente não fazer nada.
7 – Pagar muitas comissões
Hoje, com a popularização das corretagens zero, muita gente acha que esse problema deixou de existir.
Mas ele só mudou de forma.
As taxas continuam lá — só que, muitas vezes, escondidas:
- em produtos com altas taxas de administração
- em fundos com performance questionável
- em estruturas que você nem percebe que está pagando
E o mais perigoso é que esses custos não aparecem de forma explícita.
Eles vão corroendo sua rentabilidade aos poucos, quase invisivelmente.
Quando você percebe, já perdeu uma parte relevante do retorno ao longo dos anos.
Não se trata de evitar qualquer custo a todo custo —
mas de entender o que você está pagando e se aquilo faz sentido.
8 – Não monitorar os investimentos
Existe um erro comum que acontece em dois extremos.
De um lado, quem acompanha o mercado o tempo todo — e acaba agindo demais.
Do outro, quem simplesmente “larga lá” e esquece.
Nenhum dos dois é ideal.
Investimentos não precisam de atenção diária…
mas também não podem ser ignorados.
Empresas mudam.
Fundos mudam.
Cenários mudam.
E, se você não acompanha minimamente, pode acabar carregando ativos que já não fazem mais sentido — sem nem perceber.
Monitorar não é ficar olhando preço todo dia.
É, de tempos em tempos, parar e se perguntar:
“Isso aqui ainda faz sentido na minha estratégia?”
Se a resposta for não, talvez seja hora de agir.
Mas, se for sim, talvez seja hora de… continuar sem fazer nada.
9 – Focar demais em impostos
No Brasil, falar de imposto é quase automático.
E faz sentido — ninguém gosta de pagar.
Mas, nos investimentos, existe um ponto em que essa preocupação passa a atrapalhar mais do que ajudar.
O investidor começa a evitar decisões boas só para não pagar imposto.
Deixa de vender um ativo ruim.
Deixa de rebalancear a carteira.
Tudo para “economizar”.
No final, essa economia pode sair cara.
Isso não significa ignorar impostos — eles são importantes.
Mas também não devem ser o centro da estratégia.
Às vezes, faz mais sentido pagar imposto sobre um bom resultado…
do que evitar imposto em uma decisão ruim.
10 – Não calibrar o nível de risco da carteira
Esse erro costuma acontecer de forma gradual.
Você começa mais conservador.
Vai estudando, ganhando confiança… e começa a buscar mais retorno.
Até aí, tudo bem.
O problema é quando esse movimento não vem acompanhado de consciência sobre o risco.
Você entra em ativos mais voláteis, mais complexos…
mas não está preparado para lidar com as oscilações.
E, quando o mercado vira, vem o desconforto.
Depois, a dúvida.
Depois, o medo.
E, muitas vezes, a decisão errada.
Calibrar o risco não é só escolher ativos —
é entender como você reage a eles.
Uma boa pergunta aqui é simples:
“Se esse investimento cair 20%, eu sei o que fazer… ou vou entrar em pânico?”
Se a resposta for a segunda opção, talvez o problema não esteja no ativo —
mas na forma como ele está encaixado na sua carteira.
11 – Reagir a notícias
O fluxo de informação hoje é constante.
Notícias, análises, opiniões, alertas… tudo chega muito rápido.
E isso cria uma sensação de urgência.
Parece que você precisa reagir o tempo todo.
Mas, na prática, a maioria dessas informações é ruído.
O investidor lê uma manchete negativa e pensa em vender.
Vê uma notícia positiva e pensa em comprar.
E, assim, vai tomando decisões baseadas no momento — e não em uma estratégia.
O problema é que o mercado já precificou muita coisa antes da notícia chegar até você.
E, quando você reage, muitas vezes já está atrasado.
Fundamentos mudam com o tempo.
Notícias, não.
Saber separar uma coisa da outra é uma das habilidades mais valiosas que você pode desenvolver.
12 – Achar que sempre precisa estar certo
Esse é um erro mais comum do que parece — e, na maioria das vezes, passa despercebido.
Muitos investidores entram no mercado com uma ideia implícita:
precisam acertar sempre.
Quando fazem um investimento e ele começa a dar errado, a reação natural não é revisar — é insistir.
Seguram mais do que deveriam.
Compram mais para “baixar o preço médio”.
Ignoram sinais claros de que algo mudou.
Tudo isso não porque a análise ainda faz sentido…
mas porque é difícil admitir que errou.
E aqui está o ponto:
o mercado não liga para quem está certo ou errado.
Ele não recompensa ego.
Ele recompensa adaptação.
Os melhores investidores não são os que mais acertam —
são os que erram pequeno, aprendem rápido e seguem em frente.
Às vezes, sair de uma posição ruim não é uma derrota. É maturidade e fidelidade com seus objetivos e estudos iniciais.
13 – Perseguir yield
Esse é um erro extremamente comum, principalmente entre investidores que buscam renda passiva.
A lógica parece simples: quanto maior o yield, melhor. Afinal, quem não quer receber mais dividendos?
O problema é que, na maioria das vezes, yield alto é consequência de queda no preço do ativo — e não necessariamente de qualidade.
Muitos investidores acabam sendo atraídos por números chamativos e deixam de analisar o que realmente importa: a sustentabilidade daqueles pagamentos.
É comum vermos fundos imobiliários ou ações com yields elevados justamente em momentos de dificuldade, seja por problemas operacionais, aumento de vacância, queda de receitas ou mudanças no cenário econômico.
Ou seja, o investidor acha que está comprando renda, quando, na verdade, pode estar comprando risco.
O foco não deve ser apenas “quanto paga”, mas sim:
- por que paga
- se consegue continuar pagando
- e em quais condições
Yield, sozinho, nunca deve ser critério de decisão.
14 – Tentar adivinhar para onde o mercado vai
Se existe algo que aprendi ao longo desses anos é: o mercado não gosta de ser previsto.
Muitos investidores passam horas tentando antecipar movimentos:
- “Será que vai subir?”
- “Será que vai cair?”
- “Agora é hora de entrar ou sair?”
A verdade é que ninguém sabe com consistência para onde o mercado irá no curto prazo.
E o mais perigoso é quando a pessoa acerta uma ou duas vezes — isso cria uma falsa sensação de controle.
Com o tempo, ela passa a operar com mais confiança, aumenta o risco… até errar. E, normalmente, o erro vem maior do que os acertos anteriores.
Investir não é sobre prever o futuro.
É sobre se posicionar bem independentemente dele.
Uma boa estratégia não depende de você acertar o timing perfeito — ela depende de consistência, disciplina e fundamentos.
15 – Não ser diligente
Diligência, no mundo dos investimentos, significa fazer o básico bem feito — sempre.
É estudar antes de investir.
É entender no que está colocando seu dinheiro.
É acompanhar, revisar e ajustar quando necessário.
Muitos investidores negligenciam isso por dois motivos:
- excesso de confiança
- preguiça intelectual
Compram ativos sem entender o modelo de negócio, sem ler relatórios, sem analisar riscos.
E o problema não aparece imediatamente — o que reforça ainda mais esse comportamento.
Mas, quando aparece, normalmente vem em forma de prejuízo.
Ser diligente não exige genialidade.
Exige consistência.
E, no longo prazo, isso faz toda a diferença.
16 – Trabalhar com pessoas erradas
Esse erro vai além do mercado financeiro — ele serve para a vida.
Muitos investidores acabam se cercando de pessoas que:
- não estudam
- tomam decisões impulsivas
- seguem “dicas quentes”
- ou vivem de promessas irreais
E, querendo ou não, o ambiente influencia.
Conversas frequentes sobre “ganhos rápidos”, “oportunidades imperdíveis” e “segredos do mercado” acabam contaminando a forma de pensar.
Com o tempo, mesmo quem tinha uma estratégia sólida pode começar a duvidar dela e tomar decisões piores.
Por outro lado, estar próximo de pessoas que:
- estudam
- questionam
- pensam no longo prazo
eleva naturalmente o seu nível.
Nos investimentos, assim como em outras áreas, com quem você anda importa — e muito.
17 – Deixar as opções tomarem conta
Aqui falo tanto de opções financeiras quanto de excesso de possibilidades.
O mercado oferece inúmeras alternativas:
- ações
- FIIs
- ETFs
- opções
- cripto
- derivativos
E, para quem está começando — ou até para quem já tem experiência — isso pode virar uma armadilha.
A pessoa começa com uma estratégia simples…
e, aos poucos, vai adicionando complexidade desnecessária.
Quando percebe, está operando coisas que mal entende.
No caso específico das opções (derivativos), o risco é ainda maior.
Elas podem ser ferramentas úteis, mas também podem amplificar perdas de forma significativa quando mal utilizadas.
Mais opções não significam melhores decisões.
Na maioria das vezes, simplicidade bem executada vence complexidade mal compreendida.
18 – Esquecer da inflação
Esse é um erro silencioso — e perigoso.
Muitos investidores olham apenas para o rendimento nominal:
- “Meu investimento rendeu 10% no ano.”
Mas esquecem de considerar a inflação.
Se a inflação foi de 6%, o ganho real foi bem menor.
No longo prazo, ignorar isso pode gerar uma falsa sensação de crescimento patrimonial.
Você acha que está enriquecendo…
quando, na prática, está apenas mantendo (ou até perdendo) poder de compra.
Investir não é só fazer o dinheiro crescer —
é fazer ele crescer acima da inflação.
19 – Não começar e não continuar
Esse talvez seja o erro mais simples — e, ao mesmo tempo, o mais comum.
Muitas pessoas passam anos dizendo:
- “Vou começar a investir quando ganhar mais”
- “Quando sobrar dinheiro eu começo”
- “Agora não é o momento”
E o tempo passa.
Outros até começam…
mas não continuam.
Param no primeiro susto, na primeira queda, na primeira frustração.
Investir é um jogo de longo prazo.
E o maior aliado nesse jogo é o tempo.
Não começar é perder tempo.
Não continuar é desperdiçar o tempo que já passou.
20 – Não controlar o que você não pode controlar
Esse é, talvez, o erro mais sutil — e mais profundo.
O investidor passa a se preocupar excessivamente com coisas como:
- decisões de bancos centrais
- política
- crises globais
- movimentos de mercado
Tudo isso, de fato, influencia os investimentos.
Mas há um problema: você não controla nada disso.
Quando você tenta basear suas decisões em variáveis incontroláveis, entra em um ciclo de ansiedade e decisões ruins.
Por outro lado, existem coisas que estão totalmente sob seu controle:
- disciplina
- consistência
- alocação
- estudo
- comportamento
Investidores de sucesso não são aqueles que controlam o mercado.
São aqueles que controlam a si mesmos dentro dele.
Conclusão
Depois de mais de uma década investindo, se existe algo que aprendi, é que o maior inimigo do investidor não é o mercado — é ele mesmo.
Não são os juros, nem a inflação, nem as crises.
São as decisões impulsivas, as expectativas desalinhadas, a falta de disciplina e, principalmente, a dificuldade de lidar com as próprias emoções.
O mercado vai continuar fazendo o que sempre fez: subir, cair, surpreender, frustrar e recompensar — tudo ao mesmo tempo.
A diferença real está em como você reage a isso.
Evitar todos os erros é impossível.
Mas aprender a reconhecê-los, corrigi-los e não repeti-los… isso sim muda o jogo.
Se você chegou até aqui, já está à frente da maioria.
Agora, o próximo passo é simples — mas não fácil:
colocar em prática.
Porque, no fim, investir não é sobre encontrar o ativo perfeito.
É sobre construir um comportamento que funcione no longo prazo.
E se esse conteúdo fez sentido pra você…
Compartilhe com alguém que também está começando ou que já investe há algum tempo — esses erros são mais comuns do que parecem.
E se quiser acompanhar mais conteúdos como este, com reflexões práticas sobre investimentos, economia e decisões financeiras, continue acompanhando o blog.
Esse é só o começo.